TAXAS DE JURO E A GUERRA

O que são os juros?

Os juros podem ser entendidos como o preço do dinheiro, ou seja, uma compensação paga por quem toma emprestado para usar o dinheiro de outra pessoa durante um determinado período. Esse valor é calculado com base em dois fatores principais: o montante emprestado e o tempo de utilização. Para quem empresta, os juros são um tipo de rendimento, enquanto para quem toma emprestado, representam um custo pelo acesso a recursos que não possuía.

As instituições financeiras, como bancos, atuam como intermediárias entre investidores, que têm dinheiro para emprestar/aplicar, e devedores, que necessitam de financiamento. Dessa forma, os bancos recebem dinheiro dos investidores, oferecendo uma remuneração (juros) por isso, e emprestam-no aos devedores, cobrando juros geralmente mais altos para obterem lucro.


  • Taxas de juros reais VS taxas de juros nominais

As taxas de juros nominais são aquelas acordadas e apresentadas diretamente, mas não consideram o impacto da inflação, ou seja, a perda do poder de compra ao longo do tempo. Já as taxas de juros reais levam em conta a inflação, indicando o verdadeiro rendimento ou custo. Por exemplo, se uma aplicação oferece uma taxa de juro nominal de 1%, mas a inflação no período é de 2%, o investidor, na prática, perde poder de compra, resultando numa taxa de juro real de -1%. Assim, a taxa real reflete o rendimento efetivo de um investimento após descontada a inflação.

Fórmula: Taxa de juro real = Taxa de juro nominal – Inflação

  • Taxas de juros simples VS taxas de juros compostos

Outro critério de classificação é entre juros simples e compostos. Nos juros simples, o cálculo é sempre feito com base no valor inicial emprestado, de forma a que o montante de juros acumulados seja constante ao longo do tempo. Já os juros compostos consideram que os juros gerados em cada período são somados ao montante inicial, formando uma base maior para o cálculo dos próximos juros, o que resulta em um crescimento exponencial do montante que se deve ou que é acumulado.

Exemplo: Aplicação de 1000 euros num banco com uma taxa de juro de 10%:

  • Taxa de juro simples: Ganha-se 100 euros por ano;

  • Taxa de juro composto: Ganha-se 100 euros no primeiro ano, 110 euros no segundo ((1000+100)*10%), 121 euros no terceiro, e por aí em diante.

  • TAN VS TAEG

Ainda é importante fazer a distinção entre a Taxa Anual Nominal (TAN) e a Taxa Anual Efetiva Global (TAEG). A TAN reflete apenas os juros cobrados no empréstimo, enquanto a TAEG inclui todos os custos associados ao crédito, como comissões, encargos administrativos e as restantes despesas associadas a um empréstimo, apresentando uma visão mais completa do custo real para quem pede emprestado.

  • Taxas de juros fixas VS taxas de juros variáveis

Além disso, as taxas de juros podem ser fixas ou variáveis. Num empréstimo com taxa fixa, os juros não mudam ao longo do contrato, permitindo ao devedor prever com exatidão os custos totais. Já nas taxas variáveis, os juros são revistos periodicamente, de acordo com indexantes como a Euribor, que reflete as condições do mercado. Em muitos casos, o spread, que é a margem de lucro do banco, é adicionado à taxa de referência (Euribor).


O impacto da guerra na Economia

As taxas de juros têm sido amplamente discutidas recentemente devido aos impactos da guerra na Ucrânia e outros fatores geopolíticos. Conflitos internacionais geram grande instabilidade nos mercados financeiros, afetando os preços e gerando, muitas vezes, uma subida generalizada destes, ou seja, inflação. A guerra na Ucrânia, por exemplo, causou um aumento nos preços do gás natural, petróleo e cereais. A Rússia, um grande exportador de energia, sofreu diversas sanções que limitaram o seu comércio, enquanto a Ucrânia, um importante fornecedor de cereais, teve a sua produção e exportação interrompidas. Isto resultou num aumento significativo dos preços globais, pressionando as economias europeias e aumentando a inflação.

Diante disso, o Banco Central Europeu (BCE) ajustou a sua política monetária, aumentando as taxas de juros para conter a inflação. Essas medidas buscam desincentivar o consumo e o investimento, reduzindo a procura e, consequentemente, os preços. No entanto, tais ações também trazem riscos, como a possibilidade de estagflação, que combina crescimento económico lento com inflação elevada. Assim, o BCE enfrenta o desafio de equilibrar o controlo da inflação com a manutenção da atividade económica, um cenário complicado agravado pelos desdobramentos dos conflitos internacionais e as suas repercussões nos mercados globais.

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